
Jeferson Batista Silva
PREFÁCIO ENTRAREste ensaio visual revela como os cartazes são utilizados, ao longo da história, como artefatos para informar, convocar e mobilizar pessoas por direitos e democracia e contra o colonialismo. Grupos de diferentes orientações políticas apostam nessa ferramenta de comunicação, que combina texto e imagem, geralmente em um suporte de papel, como uma forma de chamar a atenção para causas diversas. As cores vibrantes ou o contraste entre preto e branco, os desenhos e ilustrações, as tipografias e as frases de ordem demonstram como as estéticas de cada época e lugar são estrategicamente utilizadas para expor demandas e desejos de justiça, o que torna cada peça única.
Ao longo das décadas, esses materiais vêm ocupando muros em diferentes partes do mundo —às vezes, colocados com orgulho e determinação; outras vezes, de forma fugaz e rápida, temendo a repressão. Hoje, os cartazes impressos, que ainda encontramos pelas ruas, compartilham espaço com os digitais, distribuídos em redes sociais. Se antes o papel corria o risco de ser arrancado, rasgado e desgastado pelas intempéries, tendo, assim, limitada sua visualização, em nosso tempo são os algoritmos das plataformas digitais que determinam quem verá ou não esses conteúdos.
Os cartazes aqui reunidos representam momentos específicos da história de cada país, muitos deles símbolos das lutas e esperanças de suas gerações que não necessariamente encontram reverberação na contemporaneidade. Alguns dos movimentos listados, inclusive, perderam legitimidade quando enveredaram por caminhos distantes de seus ideais primários. Embora muito tenha mudado nos contextos nacionais, essas imagens continuam vivas como referências visuais para os desafios que vivemos na atualidade, especialmente no enfrentamento ao autoritarismo e às ameaças à democracia, numa realidade em que o racismo, o colonialismo e outras tecnologias de submissão de comunidades e populações inteiras ainda persistem. Essas peças nos lembram que a arte e a comunicação são importantes não só na resistência, mas também no exercício de imaginar futuros mais igualitários.
Estes materiais foram encontrados em acervos espalhados por diferentes partes do mundo, resultado do esforço de diversas instituições e pessoas dedicadas a preservá-los e torná-los acessíveis. Optamos por selecionar cartazes de acontecimentos históricos ocorridos na América Latina, África e Ásia, entre os anos 1960 e início dos anos 2000. Por fim, nossa curadoria contou também com ricas sugestões, revisões e comentários de uma rede de parcerias globais da qual esta publicação faz parte, que enriquece o trabalho e garante maior diversidade de perspectivas.11. A colaboração de uma rede de pessoas e organizações foi fundamental para a produção deste ensaio. Agradecemos à equipe da Revista Sur, especialmente a Laura Dauden e a Susana Barbery, pelo apoio durante todo o processo de curadoria. Também manifestamos nosso agradecimento pelos comentários e sugestões de Vladimir Chorny, Juliana Miranda, Pedro Borges, Nadine Sherani Salsabila e Sherylle Dass. Por fim, agradecemos aos arquivos, acervos e instituições que cederam as imagens, devidamente indicados em cada peça.